Comemorando 20 anos de história, a Cia Bendita Trupe, estreia a comédia Protocolo Volpone
- Tadeu Ramos
- 14 de out. de 2020
- 5 min de leitura

Com a entrada de São Paulo na fase verde, está confirmada a estreia de forma presencial no dia 21 de outubro, no Estacionamento do Teatro Arthur Azevedo, do espetáculo Protocolo Volpone - Um Clássico em Tempos Pandêmicos, a mais famosa comédia de Ben Jonson, na versão de Stefan Zweig, com adaptação de Marcos Daud e direção de Johana Albuquerque. Haverá três sessões de pré-estreia nos dias 16, 17 e 18 de outubro.
Nesta montagem, a doença contagiosa e a ganância pelo dinheiro tomam a frente da história e reforçam a impressionante contemporanidade que um clássico oferece. O texto foi encenado pelo Teatro Brasileiro de Comédia nos anos 1950, e Décio de Almeida Prado, crítico que ajudou a formar o público do TBC, assim descreve o texto: ‘Voltore’, ‘Corvino’, ‘Corbaccio’ – Ben Jonson não teria reunido assim esse bando de aves de rapina, em torno de Volpone, a astuta raposa velha, se não pretendesse escrever a mais estranha e inesperada das comédias: “a comédia da morte”.
O elenco é composto pelos atores Daniel Alvim, Helena Ranaldi, João Carlos Andreazza, Luciano Gatti, Marcelo Villas Boas, Mauricio de Barros, Pedro Birenbaum, Vanderlei Bernardino, Sergio Pardal e Vera Bonilha. Na visualidade do espetáculo figuram o cenógrafo Julio Dojcsar, a iluminadora Aline Santini, a figurinista Silvana Marcondes, o diretor musical Pedro Birenbaum e o visagista Leopoldo Pacheco. O projeto conta também com a assistência de direção de Cacá Toledo e produção de Anayan Moretto.
Foto: Marcelo Villas Boas
Sobre o espetáculo
Trata-se de uma adaptação de Volpone, de Ben Jonson, contemporâneo de Shakespeare, um dos textos mais encenados no Reino Unido. O texto ganha uma versão enxugada pelo austríaco Stefan Zweig, nos anos 1920, a partir da qual Marcos Daud fez a versão atualizada para o contemporâneo. Volpone é um homem sem filhos, especialista na arrecadação de riquezas e, para mais acumular, finge estar agonizante e diverte-se com o desfile de bajuladores que, na expectativa de serem contemplados em seu testamento, o enchem de favores e se prestam a todas as humilhações. É uma comédia clássica, com uma embocadura de linguagem aparentemente de época, mas também divertida, cáustica e popular.
Uma letra de música escrita especialmente por Bertolt Brecht para uma montagem deste texto, pela diretora Elizabeth Hauptmann, em 1952, é utilizada neste espetáculo.
A proposta de pesquisa da Bendita Trupe é investigar uma alternativa possível e segura para a realização de um projeto cênico presencial na cidade de São Paulo na pandemia, antes da abertura dos teatros fechados e antes da chegada da vacina.
Com protocolos criados para que todos estejam protegidos, a elaboração da obra partiu do desejo do resgate do encontro primordial do teatro, a experiência presencial e efêmera entre o público e a cena (mesmo que de forma restrita). Chegaram, então, ao dispositivo cênico ao ar livre que abriga 20 espectadores em cabines individuais, assim como a atuação e movimentação dos atores no espaço com distanciamento físico entre eles, além do compartilhamento de objetos cênicos através de medidas de proteção, procedimentos que se transformaram em linguagem e criação cênica.
Uma particularidade deste projeto é o fato de que a equipe criadora e de produção participam do espetáculo no papel de “anjos de proteção”. Responsáveis por estabelecer os protocolos dentro da própria cena, direção, figurinista, iluminadora, cenógrafo, diretor musical e produção circulam por dentro do espaço cênico para garantir a troca segura de objetos entre os atores, o traslado de grandes mobiliários, o cuidado com o som e a luz, além de serem os guias da plateia na circulação pelo estacionamento.

Foto: Marcelo Villas Boas

Foto: Maria Clara Diniz
Ações formativas
O projeto abarca um braço formativo com ações online que compartilharam o processo de criação de Protocolo Volpone, um clássico em tempos pandêmicos: quatro ensaios abertos sobre as atividades online e presenciais via zoom; um ciclo de cinco debates sobre as relações entre teatro, cultura e pandemia pelo Sympla com debatedores especialmente convidados; além de uma leitura dramática do texto, adaptado por Marcos Daud, pelo Rede de Leituras. Todos eventos ocorreram em setembro.
Participaram dos debates o historiador Ricardo Cardoso e a tradutora e dramaturga Christine Röhrig, na conversa “Teatro, Peste e Guerra: Shakespeare, Brecht & Heiner Müller”; o artista plástico e performer Nuno Ramos e o dramaturgo e diretor Rubens Rewald, na mesa “Encenação, Dramaturgia e Público na Pandemia: Teatro Presencial antes da Vacina”; a educadora e artista multilinguagem Bruna Paiva e o psiquiatra e pesquisador Renato Antunes dos Santos, na mesa “Corpo e cidade: conviver com a pandemia em espaço público”; a diretora do Barracão Teatro, Tiche Vianna, e o ator e diretor do Grupo Moitará, Venício Fonseca, no debate “A Máscara como expressão e protocolo no teatro contemporâneo”; e Gabriela Carneiro da Cunha (artista e pesquisadora), e Célio Turino (historiador e escritor), no bate-papo “O bem viver, sonhos e utopias: a pandemia como oportunidade de imaginar novos mundos”.
Foto: Maria Clara Diniz
Sobre a Bendita Trupe
A Bendita Trupe é um premiado conjunto paulistano, que tem como linha de pesquisa a criação de espetáculos para o público adulto e infantojuvenil, com linguagem crítica e poética voltada ao Brasil contemporâneo. Tem como princípio fundamental estimular a inteligência e o humor de todas as idades, perseguindo o ideal de um teatro "sério" e paradoxalmente, divertido. Em 2019, realiza a leitura encenada de Volpone, de Ben Jonson, em homenagem ao Teatro Brasileiro de Comédia, na Biblioteca Mario de Andrade, no 465º aniversário da cidade de São Paulo, que resultou neste projeto, agraciado com um prêmio municipal. Em 2017, produz Hospedeira & Paquiderme: Díptico de Estranhas e Esquizos Dramaturgias, dois monólogos que conversam sobre os colapsos mentais, que estreou no SESC Consolação. Em 2015, encena dois espetáculos de jovens dramaturgos do SESI – British Council, Solilóquios e Em Abrigo, que esteve em cartaz no Mezanino do SESI Paulista.

Foto: Maria Clara Diniz
Sobre Johana Albuquerque
É diretora, atriz, produtora e pesquisadora teatral. É pós doutora pela ECA/USP e dirige a Bendita Trupe. Tem 20 espetáculos encenados na cidade de São Paulo. Johana também é professora universitária. Além das montagens com a Bendita Trupe, em 2018 dirige a pesquisa cênica Quadro em Branco, numa parceria com o PPGEAC da UNIRIO, com as professoras atrizes Rosyane Trotta e Jacyan Castilho, uma revisitação ao Auto dos 99%, do Centro Popular da Cultura, CPC, tomando a história da universidade pública brasileira como metáfora da exclusão social no país. Em 2015, Johana dirige o Coletivo Quizumba, um coletivo negro com a pesquisa Santas de Casa Também Fazem Milagres, pela Lei de Fomento ao Teatro, que resultou no espetáculo Oju Orum, na Sala Adoniran Barbosa, no CCSP.
PROTOCOLO VOLPONE, UM CLÁSSICO EM TEMPOS PANDÊMICOS
Pré-estreias: Dias 16 e 17 de Outubro, às 20h e 18 de Outubro às 18h
Temporada: de 21 de Outubro a 08 de Novembro
Quando: De Quarta a Sábado às 20h | Domingos às 18h
Local: Estacionamento do Teatro Arthur Azevedo
End.: Av. Paes de Barros, 955 - Mooca
Lotação: 20 lugares
Ingressos: Pague quanto puder (Gratuito a R$ 20)*
*A aquisição dos ingressos ocorrerá na véspera dos dias de apresentação, através de link disponibilizado na bio da Bendita Trupe no Instagram e também na página do Facebook, sempre a partir das 11h.
Não haverá bilheteria presencial no teatro.
Classificação: 12 anos
Duração: 110 minutos
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