A peça cria uma discussão sobre as relações de poder e o que é preciso para a sua manutenção
Foto: Philipp Lavra.
O conflito que existiu entre as rainhas e primas Elizabeth I (1533-1603) e Mary Stuart (1542-1587) é pano de fundo para uma discussão sobre as relações de poder no espetáculo Maria da Escócia, com dramaturgia de Fernando Bonassi e direção de Alexandre Brazil. A peça, estrelada por Bete Dorgam e Kátia Naiane, é inspirada no texto “Mary Stuart” (1800), do alemão Friedrich Schiller. A estreia acontece no Teatro Cacilda Becker.
O espetáculo, que teve uma versão audiovisual online bem diferente, é o segundo trabalho de Alexandre Brazil que nasce de uma investigação sobre rainhas renascentistas. De acordo com o diretor, o primeiro desses trabalhos foi “O Sorriso da Rainha” (2018), sobre a própria Elizabeth I, e ele ainda planeja montar uma peça sobre Ana Bolena (1501/1507-1536), a mãe dessa monarca.
O contexto
Foto: Philipp Lavra.
A peça, que não se propõe a ser biográfica, parte da disputa pelo trono na Inglaterra entre as rainhas Elizabeth I e Mary Stuart. Única herdeira legítima do rei Jaime V da Escócia, Mary assumiu o trono aos 6 anos, teve vários maridos e sempre atuou apenas como a rainha consorte (o equivalente à primeira-dama), sem exercer efetivamente o poder.
Considerada pelos católicos ingleses como a legítima soberana da Inglaterra, já que Elizabeth I era filha bastarda do rei Henrique VIII, ela esteve envolvida com uma revolta conhecida como Rebelião do Norte e tentou depor a própria prima para assumir o poder em seu lugar. Vendo-a como uma real ameaça, Elizabeth I aprisionou-a em vários castelos e mansões no interior do país. E, depois de 18 anos, Mary foi condenada por tramar o assassinato da prima – dentro da própria prisão. É decapitada em 1587, aos 44 anos.
Já Elizabeth I, que é conhecida como a “A Rainha Virgem” por nunca ter se casado, assumiu o reinado aos 25 anos, depois de uma longa briga pela sucessão do trono desencadeada pela morte de seu irmão Eduardo VI. Ao contrário de sua grande rival, ela exerceu ativamente o poder e abriu mão de se casar e ter filhos para continuar com sua soberania. Ela também é considerada uma das rainhas mais prósperas, responsável por conduzir a monarquia inglesa por sua chamada ‘Era de Ouro’.
A encenação
Foto: Philipp Lavra.
O espetáculo propõe um encontro fictício entre Maria e Elizabeth I, às vésperas da execução da primeira. Enquanto Maria tenta convencer a prima a não cortar sua cabeça por conspiração, Elizabeth procura motivos para não ter efetivamente que fazer isso e ainda continuar no poder.
Ao público, cabe assumir uma posição diante desse conflito. Em cena, as rainhas estão separadas por uma cerca, que, ao contrário de uma grade de prisão medieval, lembra um presídio de segurança máxima. Já os figurinos preservam a ambientação do século 16, mas vão sendo ligeiramente “desmontados” ao longo da peça, tornando-se um pouco mais atemporais. Esse efeito também está presente em outros elementos da montagem com a proposta de mostrar que essa história poderia ser atemporal.
Outro tema importante ao redor da peça é a questão do gênero. “É preciso considerar a depreciação da mulher. Quando olhamos para essas duas rainhas do século 16 ficamos impressionados, mas elas foram colocadas nesse lugar de poder por homens e elas estão cercadas por eles o tempo todo. Elizabeth consegue romper parcialmente com isso, mas, na peça, não consegue ter um companheirismo e o que hoje chamamos de sororidade com a própria prima, pois ela é pressionada a executá-la”, reflete o diretor.
Ficha Técnica
De Fernando Bonassi
Inspirado e baseado na obra “Mary Stuart” de Friedrich Schiller
Idealização e Direção: Alexandre Brazil
Co-Direção: Cacau Merz
Elenco: Bete Dorgam e Kátia Naiane
Cenário/Cenografia e Adereços: Mateus Fiorentino Nanci e Megamini
Música Original: Dan Maia
Iluminação: Felipe Tchaça
Figurino: Alexandre Brazil
Gola Rufo: Marichilene Artisevskis
Visagismo: Sergio Gordin e Carmen Silva
Assistente de Visagismo: Leninha Uckerman
Costura de Figurinos: Judite de Lima, Glória Amaral, Lili Santa Rosa e Maria Lúcia
Fotografia: Philipp Lavra
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Produção Gráfica e Mídias Socias: Felipe Apolo
Produção Executiva: Escritório das Artes
Coordenação de Produção: Maurício Inafre
Direção de Produção: Alexandre Brazil
Gestão de Produção: Escritório das Artes
Realização: Alexandre Brazil da Silva - “Este projeto foi contemplado pelo EDITAL DE APOIO A PROJETOS CULTURAIS DESCENTRALIZADOS DE MÚLTIPLAS LINGUAGENS — Secretaria Municipal de Cultura”
MARIA DA ESCÓCIA
Temporada: De 17 a 26 de Junho
Horários: Sextas e Sábados, às 21h | Domingos, às 19h
Local: Rua Tito, 295 - Lapa
Ingressos: R$10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia-entrada) | Compre aqui
Duração: 60 minutos
Classificação: 14 anos
Capacidade: 198 lugares
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